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Nos teus olhos há um céu onde uma estrela cai,
mas a sua queda nenhuma tragédia ostenta,
no brilho dos teus olhos somente se esvai
um lampejo menor que o maior alimenta.
Quando comparada com o que há de sublime
em todas as coisas, em todos os lugares,
a tua matéria finita, precisa, exibe
mais imensidão, mais paisagens, mais luares.
Bebeste de um trago o esplendor, a excelência
que o destino, ao gerar-te, podia permitir;
sorveste o néctar do acaso, um alvo elixir.
Mas quem o amor magoa, traindo-lhe a essência,
mesmo trajando as vestes de invejável musa,
a própria alma, contra-natura recusa.
AQUELA prisioneira de pele envolvente,
CATIVA de um corpo onde a luz pura se prende...
QUE feitiços forjou? Que encantamento belo
ME terá feito com o seu olhar singelo?
TEM uma prisão na alma e nesse calabouço
CATIVO fiquei, com o espirito ansioso...
JÁ pouco espero neste nocturno recanto,
NÃO a consigo mover a fugir do pranto...
QUER que a escuridão da sua alma faleça,
QUE a sua essência defenestre em luz acesa,
VIVA mas melancólica, morre por dentro...
EU procuro em vão um mais claro sentimento,
NUNCA percebi tantos fados mal pensados,
VI nos olhos doces olhos amargurados.
DESPISTE o ser dos mais supérfluos obstáculos,
A tua alma prestou-se aos supremos oráculos,
BLUSA de seda a tua veste se tornou,
VERMELHA como o sangue que livre jorrou.
OS teus lábios morderam uma estranha ânsia,
BOTÕES que premidos activavam a esperança,
ERAM de lume os passos que davas em frente,
BELOS como o fogo que fascina de repente.
INSIGNIAS de um paraíso os teus gestos todos,
DE um beijo onde cabem os suspiros dos sonhos,
UM desejo atravessando o céu e o inferno,
INSTANTE de um abraço tão lascivo e terno,
NOVO desafio às ditosas mãos deste,
SUBLIME o teu desnudar, simples e celeste.
ENQUANTO o gesto não atinge o corpo,
AS entediadas plantas de um horto,
ARMAS disfarçadas vegetalmente,
DESCANSAM, pesando, na nossa mente.
ERGO uma caricía contra os teus beijos,
OS símbolos de uns dificeis desejos,
MEUS dedos tocam-te e pelo teu esgar
OLHOS brilham, rubros, a triplicar.
AOS abraços, depomos paraísos,
CÉUS afogados pelas nossas almas,
PELAS torrentes que eram marés calmas.
ESTRELAS vibram nos nossos sorrisos,
DOS fastios fugimos brevemente,
TEUS fados ardem mas não para sempre.
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